ABDUÇÃO EXTRATERRESTRE. AS CORUJAS E OS ALIENS!

Entrevista com Mike Clelland
Corujas aparecem antes, durante ou depois das abduções extraterrestres — e quem viveu a experiência nunca mais as vê da mesma forma. Coincidência…ou sinal de contato?

Entre os muitos elementos curiosos que aparecem nos relatos de abdução e contato com inteligências não humanas, um dos mais intrigantes é a mudança de comportamento posterior dos contatados/abduzidos. Diversas pessoas afirmam que, depois de um episódio anômalo, lembrado de forma clara ou fragmentada, passaram a desenvolver medos e fobias que antes não possuíam. Entre essas fobias, uma se repete de modo surpreendente: o medo de corujas. Esse padrão chamou a atenção de pesquisadores independentes, especialmente do escritor e ilustrador ufológico Mike Clelland, que dedicou anos a investigar a recorrência simbólica e psicológica dessas aves dentro da casuística de abduções.

Ao reunir centenas de depoimentos, Clelland percebeu que muitas testemunhas relatavam encontros incomuns com corujas em momentos próximos a experiências estranhas durante a noite. Em vários casos, a pessoa dizia ter visto uma coruja parada à janela, no telhado ou dentro de um ambiente, algo estatisticamente improvável, pouco antes de um lapso de memória, de um episódio de “tempo perdido” ou de uma lembrança difusa de presença não humana. Posteriormente, alguns desses indivíduos passaram a sentir desconforto intenso ao ver imagens de corujas ou ao ouvir seu canto. O detalhe importante é que esse medo não existia antes do evento.

Uma das hipóteses discutidas dentro da ufologia experiencial é a chamada “memória de tela”. Segundo essa ideia, a mente humana, diante de uma experiência profundamente perturbadora ou incompreensível, poderia registrar o episódio de forma simbólica, substituindo a imagem original por outra mais tolerável. A coruja, nesse contexto, funcionaria como uma espécie de máscara psicológica. Seus olhos grandes e frontais, o rosto achatado e o olhar fixo lembram, de modo impressionante, a descrição clássica dos chamados seres cinzentos. Assim, em vez de recordar uma entidade desconhecida ao lado da cama, a pessoa lembraria de uma coruja observando no escuro. É uma proposta interpretativa, não comprovada, mas que tenta explicar a repetição do símbolo.

Há também fatores naturais que ajudam a entender por que a coruja ocupa esse papel com tanta força. Trata-se de um animal noturno, silencioso, de aparição súbita e olhar penetrante. O cérebro humano responde de maneira intensa a padrões visuais de “olhos grandes olhando de frente”, o que ativa automaticamente estados de alerta. Um encontro inesperado com uma coruja, especialmente à noite, pode ser altamente marcante e emocionalmente carregado. Se combinado com paralisia do sono, estados hipnagógicos ou sonhos lúcidos, o impacto pode se fundir com outras percepções e memórias.

O aspecto mais fascinante é que a ligação simbólica da coruja com o “outro mundo” é muito mais antiga que a própria ufologia. Em diversas culturas, ela aparece como guardiã do invisível, mensageira entre planos e portadora de conhecimento oculto. Na Grécia antiga, estava associada à deusa Atena e à sabedoria. Em tradições xamânicas, é vista como aquela que enxerga na escuridão — metáfora para perceber o que está além da realidade comum. Em vários folclores, representa transição, mistério e vigilância. Essa herança simbólica ancestral dialoga de forma curiosa com o papel que entidades não humanas exercem nos relatos modernos de contato: observadores, instrutores, vigilantes, mediadores de consciência.



A pesquisa de Clelland não afirma que corujas sejam extraterrestres disfarçados, nem que toda experiência com a ave tenha origem anômala. Seu trabalho aponta, principalmente, para um padrão narrativo e simbólico que merece atenção. Ele sugere que o fenômeno de contato pode envolver dimensões psicológicas profundas, arquétipos universais e mecanismos de percepção que vão além de uma simples interpretação física do evento. Em vez de apenas “naves e seres”, haveria também camadas de significado, tradução mental e linguagem simbólica.

Do ponto de vista científico, não há comprovação de vínculo entre corujas e extraterrestres, e métodos como regressão hipnótica, frequentemente usados nesses relatos, são considerados pouco confiáveis para recuperar memórias factuais. Ainda assim, o acúmulo de testemunhos semelhantes mantém o tema vivo no debate ufológico contemporâneo. Ele sugere que, independentemente da origem última dessas experiências, existe um repertório simbólico recorrente emergindo da mente humana quando confrontada com o desconhecido.

No fim, a coruja pode não ser a causa do fenômeno, mas talvez seja uma das chaves para entender como a experiência é registrada, traduzida e lembrada. E é justamente nessa fronteira entre percepção, símbolo e mistério que a ufologia experiencial encontra algumas de suas questões mais profundas.

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