MORRE NICK POPE: O HOMEM QUE DESAFIOU O ACOBERTAMENTO UFOLÓGICO
Nick Pope, que anteriormente liderou o chamado “UFO Desk” do governo britânico, faleceu após enfrentar um câncer
Ex-funcionário do Ministério da Defesa do Reino Unido, ele esteve à frente da divisão conhecida como “UFO Desk” entre 1991 e 1994, período em que analisou alguns dos relatos mais intrigantes já registrados pelas autoridades britânicas. Enquanto o público acompanhava séries como Arquivo X, Pope vivia, na prática, aquilo que muitos consideravam ficção, investigando avistamentos e ocorrências que desafiavam explicações convencionais.
Entre os casos mais marcantes de sua trajetória esteve o enigmático incidente de Rendlesham, ocorrido em 1980 e frequentemente chamado de “o Roswell britânico”.
Sua morte foi anunciada por sua esposa, Elizabeth Weiss, que, emocionada, declarou: “Meu coração está partido. Nick faleceu esta tarde em nossa casa.” Mesmo nos momentos finais, já debilitado, ele ainda encontrou forças para conceder entrevistas e compartilhar reflexões sobre sua vida e carreira.

Entre Relatórios Secretos e Casos Inexplicáveis
Durante sua atuação no governo, Pope e sua equipe eram responsáveis por avaliar relatos de OVNIs sob a perspectiva da segurança nacional e da aviação. Segundo ele, o volume de ocorrências era muito maior do que o público imaginava, chegando a cerca de 300 registros por ano.
Em fevereiro, ao revelar publicamente seu diagnóstico, ele foi direto: a doença havia se espalhado e não havia possibilidade de cura. Em uma mensagem comovente, refletiu sobre sua trajetória e deixou claro que, apesar do desfecho inevitável, não mudaria nada em sua vida.
Ao longo de 21 anos no Ministério da Defesa, esteve envolvido em áreas que iam desde contraterrorismo até fenômenos aéreos não identificados, acumulando experiências, encontros e acesso a informações que poucos tiveram.

Mesmo limitado pela Lei de Segredos Oficiais, Pope conseguiu, ao longo dos anos, oferecer ao público vislumbres de um universo marcado por arquivos confidenciais e tecnologias ainda não compreendidas. Muitos dos casos que analisou tiveram explicações convencionais, mas alguns permaneceram como mistérios persistentes e perturbadores.
Rendlesham: O Caso Que Nunca o Deixou Em Paz
O caso de Rendlesham, em especial, continuou a assombrá-lo. Em suas análises, níveis de radiação considerados anormais foram registrados no local do suposto pouso, levantando preocupações sobre a proximidade de testemunhas com o objeto.
Outro episódio que marcou sua carreira foi o Incidente de Calvine, em 1990, quando duas testemunhas na Escócia fotografaram uma grande estrutura em forma de diamante pairando no céu. Após análises detalhadas, Pope e sua equipe concluíram que as imagens eram autênticas.
Décadas depois, uma das fotografias veio a público, mas o autor nunca foi identificado. Segundo Pope, uma dessas imagens chegou a ficar exposta dentro do próprio escritório oficial de investigação sobre UFOs, até ser descontinuada.

No Brasil
Nick adorava vir ao Brasil participar de eventos. Pope foi um dos principais palestrantes da série de eventos “UFO Summit”, organizada pela Revista UFO, com passagens por várias capitais brasileiras, como Porto Alegre, Curitiba e Campo Grande.
Durante suas visitas, Pope abordou a ufologia com uma perspectiva de segurança nacional e defesa, comparando os fenômenos com casos investigados no Reino Unido.
Em 2013 esteve no UFOZ, palestrando sobre “Devemos esperar por um contato?”.

“Eu o conheci em 2013 durante o UFOZ. Tive o prazer de passar várias horas com ele conversando sobre nossas pesquisas. Sua admiração pelo Brasil e o trabalho que os ufólogos brasileiros realizavam era reconhecido no exterior e símbolo de uma pesquisa ufológica séria”, disse o editor da Revista Fenômeno UFO, Thiago Ticchetti.

“Há cerca de dois meses, quando eu soube de sua doença e do estágio dela, conversei brevemente com o Nick, dando-lhe forças e dizendo que estávamos rezando por ele. Ele agradeceu, mesmo sabendo que não tinha mais esperanças. Ele foi um dos ufólogos que tinha como referência”, declarou Ticchetti.
Apesar de sua abordagem cautelosa, ele nunca escondeu o fascínio pelo desconhecido. Em entrevistas, chegou a afirmar que gostaria de testemunhar um contato direto com inteligências não humanas, não apenas como observador, mas como alguém disposto a compreender o fenômeno de forma concreta.
Para ele, a possibilidade de não estarmos sozinhos no universo não era apenas plausível, tornava o mundo mais interessante.
Obrigado Nick!
Nossos sinceros sentimentos à sua esposa Elizabeth e familiares.

